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  • Juliana Barica Righini

O VÍRUS E VOCÊ! O QUE FAZER?


A pandemia foi anunciada! E agora? Tivemos que pensar em estratégias para continuar a estudar, trabalhar e nos relacionar com as pessoas. Situações nunca pensadas começaram a acontecer e uma quantidade enorme de informações boas e ruins invadiram as nossas casas. Tudo virou de ponta cabeça e diante de todas essas novas informações, o que fazer?

Nós, profissionais, tivemos que modificar os formatos de atendimentos e as formas de nos comunicar.

Então começamos a ouvir as pessoas ao nosso redor e observar como estavam vivendo. A primeira preocupação era como as pessoas com deficiência estavam entendendo os acontecimentos; como estavam procurando se organizar para esse momento que parece sem previsão para acabar. Nesse contexto é que foi criado o Plantão Covid e Você. Esse projeto teve com o objetivo possibilitar a escuta e troca de informações entre os jovens com deficiência intelectual.

Nos meses de abril e maio, aconteceram encontros de 1 hora, com temas pré definidos, para grupos de até 08 pessoas, utilizando uma plataforma digital.

As pessoas convidadas tinham como primeiro desafio olhar a programação e escolher o tema de seu interesse. Para isso a divulgação precisava ter estratégias acessíveis, com linguagem simples. Nós, profissionais ficamos atentas para esclarecer dúvidas possíveis.

A divulgação foi feita por redes sociais, para famílias e pessoas com deficiência intelectual.

No mês de abril, aconteceram 2 encontros por semana, em horários variados; no mês de maio, 1 encontro por semana. Cada encontro, com dias e horários diferentes, para trabalhar a flexibilidade, o uso da agenda e a reorganização dos compromissos.

Os temas foram inicialmente indicados por nós e posteriormente pelo próprios participantes. Com a escolha do tema, o participante deveria fazer contato para se inscrever e informar em qual dia iria participar.

Um desafio importante estava relacionado a plataforma digital. Como estávamos no início do período do isolamento social, as ferramentas tecnológicas eram variadas e algumas vezes novas para muitos. Então, antes de iniciar o projeto, aconteceu o momento de aprender a usar a plataforma, com teste previamente marcado, com cada participante, em alguns momentos ajudando até a baixar aplicativos…

O valor dos encontros foram pensados entendendo a instabilidade financeira e até em um valor que o jovem que recebe salário pudesse assumir. Ao final de cada mês, foi possível fazer o processo do pagamento com alguns dos participantes e, a família ficou na retaguarda para auxiliar.

Os temas trabalhados foram:

● Vocabulário informativo sobre o coronavírus

● Isolamento social - como me sinto? O que posso fazer?

● E meu trabalho, como fica?

● Se alguém ficar doente, o que faço?

● O que faço para diminuir a saudade

● Em tempo de coronavírus, como fica o meu projeto de vida?

● Como montar minha rotina: cursos, atividades e tarefas de casa

● Cuidados em situação de emergência

● Redes sociais e amizades

Os encontros geraram muitos desdobramentos e para nós profissionais, muitas reflexões sobre nossa prática, sobre a nossa escuta, estratégias para construir o pensamento e sistematizar o conhecimento em cada encontro. Cada tema gerou observações, como:

O grupo presente demonstrou ter as informações básicas sobre o vírus, além de cuidados e proteção. Alguns pontos precisam ser repetidos pois algumas informações se misturam, por exemplo o coronavírus, é um vírus e não é transmitido por insetos. Que o tratamento não é com vacina, entre outros. Quando deve ir ao médico ou ao hospital. Muitos materiais com linguagem simples puderam colaborar para o entendimento das informações principais

Entendimento sobre o que é isolamento, quarentena, termos usados para explicar esse momento em que não saímos de casa tiveram que ser esclarecidos. O grupo novamente demonstrou ter o entendimento básico, vindos de algumas conversas e orientações dadas pelos noticiários, com relação ao uso da máscara, do álcool gel e higienização das mãos. porém foi preciso questioná-los sobre procedimentos relacionados ao contexto de cada casa, para que pudessem ter uma ação mais participativa.

A rotina para muitos era presente e para outros em construção. A rotina é uma estratégia que ajuda a organizar procedimentos, a manter a autonomia e mostra de forma concreta o quanto de ociosidade ou não cada um tem durante a semana, para isso o calendário, a agenda eram recursos fundamentais. Com isso, foi conversado com os jovens para uma participação na dinâmica da família, nas tarefas domésticas que não se restringem a seus próprios pertences, mas contribuindo com a rotina da família, uma vez que os chefes de famílias se apresentam muito atarefados, com acúmulos de tarefas dos trabalhos, de casa, além de cuidados com parentes.

Além disso levantando ações que poderiam ter para conseguir mais aprendizado, autonomia e manter o contato com pessoas. Para muitos foram enviados no contato individual recursos como curso gratuitos, lives, entre outros.

Um ponto que chamou a atenção na conversa com os jovens, foi a distinção do que era uma rotina real, a vivida no seu dia a dia e a ideal. O que demonstrou o interesse em fazer parte de forma mais ativa da rotina da casa, mas que muitas vezes não eram solicitados ou considerados. Os encontros tinham também essa função colaborar para que cada um pudesse ter iniciativas e se colocar mais presente. Durante os encontros seguintes muitas atitudes foram sendo tomadas pelos participantes, tirando fotos ou relatando novas experiências.

O trabalho formal é muito presente no projeto de vida dos participantes, nos relatos estava presente o desejo de retornar ao trabalho, além da importância dos colegas de trabalho. Havia um entendimento médio sobre a sua situação no trabalho, quando questionados as respostas eram “estou de férias”, sem demais informações, ou sabiam que estavam afastados, mas sem a total compreensão do contexto. Foi trabalhado muito a importância de não esperar a empresa, mas procurar a informação, falar com os colegas.

Com relação a possibilidade de uma pessoa da família ficar doente, muitos tinham informações dadas por notícias nas redes sociais, ou televisão, foi preciso construir um caminho para pensar nas informações na sua realidade, de como pode se cuidar e cuidar do outro, mobilizando para que façam parte da rede de apoio da família.

Quase todos os participantes se colocam muito a disposição em fazer, em ajudar em construir. Alguns com estratégias construídas com a família e outros não. O importante é entender que os filhos estão prontos e interessados em fazer parte da rede de apoio de algum membro da família, mas é preciso conversar sobre estratégias concretas para que possa contribuir no momento adequado.

A sensação mais presente em todos os encontros foi a saudade, alguns com estratégias importante para resolver, utilizando as redes sociais, aplicativos e outros precisando pensar em possibilidades práticas para sanar o seu desejo.

As redes sociais e aplicativos colaboram para nos aproximar das pessoas, nesse momento de isolamento social. Os participantes citaram todas as ferramentas que utilizam. Então vem a conversa sobre o cuidado, o que falo, como falo, como é a minha relação com uma rede social, quem está me ouvindo e me vendo. Quais são os critérios para aceitar um amigo nas redes sociais.

Para concluir, pensamos em um trabalho de curto prazo (começo, meio e fim) por isso o projeto teve um tempo de duração, enquanto percebemos que poderia contribuir com os interessados. Ele se encerrou, conforme notamos que os encontros não tinham mais sentidos e que outras propostas precisavam acontecer. O importante foi contribuir com o caminhar e construção de cada membro. Durante o texto, deve ter se perguntado e a família? Para esse público também teve muita reflexão, mas ficará para um outro texto.


Até a próxima! Cátia Macedo Maia e Juliana Barica Righini






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